Patacoadas de uma república de bananas

gabeira

 

Chamemos a atenção, em primeiro lugar, para a primeira palavra do título deste artiguinho. “Patacoada” é coisa de patacos, de indivíduos idiotas, estúpidos, parvos. Em segundo lugar, tem-se a expressão “república de bananas”,  que aqui não faz menção às republiquetas da América Central, famosas pela exportação do fruto amarelo e oblongo, mas sim reitera, por meio de um sentido secundário do termo “banana”, o caráter pataco e idiota de todos nós, brasileiros. O artiguinho não pode, também, começar sem a análise da foto que o acompanha. Nela, um dos pouquíssimos homens sérios da política brasileira, apesar da delicadeza contumaz de sua figura pouco ortodoxa, afigura-se, repentinamente, como um frango de rinha que investe contra os sabujos de um poder de porcos. É realmente o fim de uma era e o prenúncio de outra. Passamos da tentativa de democracia à democracia ditatorial manu militari. De um lado, o todo-poderoso homem de calhas arma suas tramóias para tudo submeter perdoem-me a redundância  ao que vier a calhar (como de resto sempre fizeram aqueles que detiveram o “puder” neste país de papalvos), adotando uma medida de exceção que a todos impinge um calar obsequioso; de outro, os supostos paladinos da justiça, com seus cartazes estudantis e gritos de luta, fazendo força para impedir a mudez que o já citado calheiro urubu alagoano ousara decretar assim tão rapidamente paladinos que não passam, contudo, de meros bobos da corte, muito pouco distintos, nas circunstâncias atuais, daquelas lesmas e bernes outrora quietos da Areninha de hoje, que, antigamente, de maneira muito satisfeita acompanhavam com muito gosto tanques e generais fãs de cavalos. Nossa oposição é, então, esta: Lucianas e Agripinos de modo que estamos mesmo mal-arranjados. Enquanto isso, supremos e doutos senhores, liderados por uma graciosa e helênica senhora , todos eles bem confortáveis em poltronas pequenininhas e espartanas, deliberam se o que ocorre está certo ou errado, prontos a decidirem-se, de acordo com a lei mais conveniente para o momento (como é comum neste país tão sério), pela liminar também mais conveniente e que, é claro, dê mais ibope na chamada do Jornal Nacional.  O descerebrado molusco mor não poderia estar, neste momento, viajante que é,  em lugar mais adequado, no reino podre da Dinamarca, de onde apenas requisita o direito a estar bem-informado. Cassado ou não, o ex-homem collorido e calheiro, hoje homem do partido da estrela, aliás, do partido das estrelas, dos detentores eternos da verdade, com certeza não nos causará efeito que não um breve vômito metafórico que todo dia expeliremos já ao acordar. Tenhamos calma: o mau cheiro que viermos a sentir será apenas ilusório e também metafórico – será logo tornado inodoro e saneado, pois no Congresso, no Planalto e no Supremo vai tudo muito bem.

Texto escrito em 12/9/2007
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