Música em vídeo

Contando com a cortesia de quem publica vídeos na rede, apresentarei algumas canções de minha preferência (acompanhadas, quando possível, de comentários um tanto quanto subjetivos, além, é claro, da letra em si). Também aparecerão por aqui composições de outra ordem, que não propriamente canções.

Um abraço,
Vinicius

Canção 6: Chris Cornell (Black hole sun). Para não dizer que, em plena cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, não aprecio banquinho e violão.

Black hole sun (Chris Cornell)
 
In my eyes, indisposed
In disguise as no one knows
Hides the face, lies the snake
The sun in my disgrace
 
Boiling heat, summer stench
‘Neath the black the sky looks dead
Call my name through the cream
And I’ll hear you scream again
 
Black hole sun
Won’t you come
And wash away the rain
Black hole sun
Won’t you come
Won’t you come
 
Stuttering, cold and damp
Steal the warm wind tired friend
Times are gone for honest men
And sometimes far too long for snakes
 
In my shoes, a walking sleep
And my youth I pray to keep
Heaven send hell away
No one sings like you anymore
 
Hang my head, drown my fear
Till you all just disappear
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Canção 5: Mark Lanegan (Low). Uma das minhas favoritas de todos os tempos. Mr. Mark Lanegan, sempre ouvido em tempos de solidão (“Don’t you know about love?”). Letra abaixo do vídeo.

Low (Mark Lanegan)
.
 Love with my will
Love just what I can
Blood, it’s all there is
In times of trial and loneliness.
 .
Too dark for finding my ground
And trees shiver and sway
If you ever seen something go down
To keep in mind all of your days.
. 
Lord, you know where I been
And you know why I came
Look, I’m all done in
Pray don’t send me back again.
 .
Tell her I wanted to say goodbye
Before the light was dead and gone
Tell her I didn’t want to lie
Left here well enough alone.
 .
Lord, you know where I been
And only you know why I came
Blood, it’s all there is
Pray don’t send me back again.
 .
If I stayed away too long
Many times I lost my way
If you ever been skeleton low
If you ever heard somebody say.
 .
Baby, baby, don’t you know about love?

 

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“Canção” 4:  John Coltrane (Blue train). A composição vem acompanhada de antigo comentário publicado em outro local há cinco anos, com leve estocada na bossa nova.

 

Comentário:  John Coltrane – Esse sabia das coisas. Companheiro figadal. Depois de anos agüentando o timbre agudíssimo do trompete de Miles Davis, cria seu próprio espaço com a sonoridade mais intermediária do sax tenor. Vantagem também levou no fato de as gravações dos anos 50 serem um tanto melhores do que as dos 40. Charlie Parker ficou prejudicado nessa, ainda mais que o sax alto, por causa das gravações rudimentares, soa, ainda hoje, como se Bird tocasse dentro de uma caixa de latão. Mas voltando a Mr. Coltrane: que sonoridade! Não há como ouvir ninguém depois de ouvi-lo. Nem pensar em jazz brasileiro, se é que existe tal coisa. Hoje, todos os jazzistas tupiniquins (todos muito sábios) insistem na obrigatoriedade de tocar bossa nova ou de temperar sua música com um sotaque nativo. Quanta tristeza é limitar a música à demarcação das fronteiras geográficas.

Texto escrito em 29/3/2005

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Canção 3: ou melhor, piano apenas, sem canção: The Köln Concert, de Keith Jarrett (o concerto está aí abaixo, thanks to a japanese named “mamesibamarukomidori” ). Meu pequeno e já velho comentário sobre o concerto está logo abaixo dos links.

Parte I (1/3)

Continue escutando aqui:

Parte I (2/3): http://www.youtube.com/watch?v=ukJw9x4f_68

Parte I (3/3): http://www.youtube.com/watch?v=abJrGmqz4rw

Parte IIa (1/2): http://www.youtube.com/watch?v=dXZqoQa5zkU

Parte IIa (2/2): http://www.youtube.com/watch?v=QaSP-I6xEoA

Parte IIb (1/2): http://www.youtube.com/watch?v=3IsPP5UOdIk

Parte IIb (2/2): http://www.youtube.com/watch?v=knfglMqxCPo

Parte IIc (1/1): http://www.youtube.com/watch?v=qMN4U-Alqfc

Comentário: Algumas repetições têm suas vantagens. Keith Jarrett, por exemplo, faz uso da circularidade, até de tônicas e quintas, para manter a concentração necessária ao vôo do improviso neste álbum fundamental, para mim, ao menos, que é The Köln Concert, gravado ao vivo em Colônia (é claro), na Alemanha, em 1975. Ao final da Parte IIb do Concerto, talvez a mais repetitiva, a platéia em transe leva cerca de quinze segundos para começar a aplaudir, e permanece aplaudindo por quase dois minutos (algo não reproduzido de maneira integral aqui no youtube, infelizmente, mas no velho vinil da ECM, sim). Observem a completude do círculo, o “yin/yang” formado pela estrutura do piano e pela cabeça do músico, na excelente foto da capa do disco. O compositor precisa realmente imergir no instrumento para tirar dele o que há de melhor e, nesse jogo, Jarrett dá leves chutes e socos na madeira de seu piano, além de mostrar certo êxtase em interjeições bastante audíveis (e um pouco excessivas) ao longo da Parte I, a melhor do disco. Um mulato americano em Colônia fez bem o seu trabalho. Pena que os coloninhos alemães do sul do Brasil não tenham ainda sido polidos  por um maestro afável como este e permaneçam na era das bandinhas e do chucrute azedo.

Texto escrito em 05/01/2006, com pequena reedição feita hoje, 30/10/2009.
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Canção 2: Águas de março (Tom Jobim)

[Com uma análise aristotélico-matita-pereira da primeira estrofe, ao final]

Águas de março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira.

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira.

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama.

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

‘au, ‘edra
‘im, ‘inho
res’, ‘oco
‘ouco, ‘(v)inho
‘aco, vidro
‘ida, ‘ol
‘oite, ‘orte
‘aço, ‘zol

 

 Análise

É pau, é pedra, é o fim do caminho… Dois elementos da natureza, o pau e a pedra, elementos inanimados, mortos: é o fim do caminho. Unindo-os, a força reiterativa do “é”. Não há verbo mais verbo do que o verbo ser.

É um resto de toco, é um pouco sozinho… Ser um resto de toco é estar reduzido ao mínimo, porém, como se vê, sem necessidade de perder o humor, pois esse mínimo transfigura-se em uma solidão pouco expressiva.

É um caco de vidro, é a vida, é o solNo caco de vidro, a primeira peripécia, o reflexo do sol: vida.

É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol…  Na noite, a morte, as surpresas, reversão da fortuna.

É peroba do campo, é o nó da madeira / Caingá, candeia, é o Matita Pereira… Na peroba, no caingá e na candeia,  madeiras rígidas, encontra-se, contudo, a resistência: o nó.  Isso, é claro, se o saci não aprontar…

Texto escrito em 27.10.2007
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Canção 1: Life is a long song (Ian Anderson)

Life is a long song

When you’re falling awake and you take stock of the new day,
and you hear your voice croak as you choke on what you need to say,
well, don’t you fret, don’t you fear,
I will give you good cheer.

Life’s a long song… Life’s a long song… Life’s a long song…

If you wait then your plate I will fill.

As the verses unfold and your soul suffers the long day,
and the twelve o’clock gloom spins the room,
you struggle on your way.
Well, don’t you sigh, don’t you cry,
lick the dust from your eye.

We will meet in the sweet light of dawn.

As the Baker Street train spills your pain all over your new dress,
and the symphony sounds underground put you under duress,
well don’t you squeal as the heel grinds you under the wheel.

But the tune ends too soon for us all.

———

Comentário: Abstenho-me de comentar a letra desta canção antiga, que o trovador escocês me sussurrou assim que acordei. O dia sempre recomeça para mim, mas um dia cansa, e eu findo, como findaram os meus.

7 respostas para Música em vídeo

  1. Fernando Holz disse:

    Se não me engano, vi o Jethro em POA em 1983 ou 85.
    Foi uma experiência inesquecível. Life’s a long song, sem este novo arranjo de cordas já é uma pérola, assim então… Obrigado Vini, por colocar esta ‘coda’ na minha canção da vida e me remeter 25 anos ao passado.

    Valeu!!
    Abração,
    Fernando Holz

  2. Vinicius disse:

    Valeu, Fernando! Acho que a vinda deles a Porto Alegre, nos anos 80, foi em 87 ou 88. Esta versão aqui é realmente uma maravilha (6/8 redondinho na cabeça quadrada e 4/4 do mundo do rock…). Agradeço-te pela visita. Aval de músico vale o dobro…
    Quando é que sai o próximo cd?
    Grande abraço,
    Vinicius

  3. Fernando Holz disse:

    Cara, boa pergunta.
    Voltei aos EUA depois de quase um ano aí no Brasil. Estou numa fase de reorganização da minha vida por aqui. Mas quanto ao novo CD, vai depender destes vários fatores organizacionais na minha vida pessoal e profissional, para que isto seja uma realidade até, quem sabe, o ano que vem. Mas, apesar das dificuldades, continua sendo uma meta, com certeza.

    Abração,
    Fernando

  4. Vinicius disse:

    Aguardemos, então!
    Abraço,
    Vinicius

  5. Pingback: Música: Escute aqui! « Vinicius Figueira

  6. Muito bom, grata surpresa!

  7. Vinicius disse:

    Volte sempre!
    Abraço,
    Vinicius

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