Poema para minha avó à beira do Alzheimer

 
Por mais que escreva páginas e páginas de artigos e textos
Por mais que pense ter encontrado o caminho no final da curva
Por mais que sinta o corpo satisfeito
Por mais que sinta o prazer da música
Por mais que esteja certo de que estou certo
O processo é sempre menos, me ensinaste.
 
A vida no final do túnel, afunilada
A consciência perdida, o olhar perdido, os pés em movimento
Teu sorriso breve, miúdo; sorriso que já foi grande, graúdo!
A careta e o espasmo, a careta sobre a careta e o espasmo sobre o espasmo
Meu riso incontido, minha lágrima incontida
O abraço e o beijo na mão, como se fosse bênção.
Escrito em 10/10/2005
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